terça-feira, 26 de maio de 2009

Pipoca e Fotografia - ANO 3




Para comemorar o terceiro ano de sessões do (despretensioso!) Pipoca e Fotografia, vamos apresentar nos dias 13 e 14 de junho dois documentários envolvendo rock e fotografia: Cock Sucker Blues (sobre os Rolling Stones, dirigido por Robert Frank) e Patti Smith -Dream of Life.
Como sempre, as sessões são gratuitas e, após a projeção, teremos uma conversa para nos situarmos no que foi visto, discutirmos o que sentimos e, claro, comer pipoca! :)

As inscrições podem ser feitas em http://www.projetocontato.com/. Apareça!!!

Rolling Stones - Cock Sucker Blues
Filme em que o próprio título já é “escandaloso”, Cock Sucker Blues foi rodado durante a turnê de 1972 dos Rolling Stones. Centrado mais nos bastidores, nas viagens entre um show e outro e nas esperas em quartos de hotel do que nas performances de palco, a câmera de Robert Frank mostra cruamente as relações da banda e de sua entourage em temas como sexo e drogas. Mais do que um documentário mistificador, Frank quis mostrar a vida cotidiana da banda como personagens de um roteiro menos glamouroso e, mesmo, quase patético. Temendo que o filme fosse causar problemas comerciais nos EUA, Mick Jagger moveu uma ação contra o diretor, conseguindo que a exibição do filme fosse proibida nos EUA, com uma exceção: sessões em que o próprio Robert Frank estivesse presente.

Patti Smith – Dream of Life
Documentário que é uma mostra densa e íntima sobre a vida e a obra da roqueira, poeta, fotógrafa e ativista Patti Smith. Gravando ao longo de 11 anos, o fotógrafo e diretor Steven Sebring, bastante próximo da artista, criou uma colagem de imagens, memórias e performances, filmadas em um preto e branco bastante granulado, que ilustram a personalidade de Smith desde as bandas de punk-rock dos anos 70. Ao longo do filme aparecem figuras importantes da cultura norte-americana como Robert Mapplethorpe, Allen Ginsberg, William Burroughs, Michael Stipe e Sam Shepard, além de Flea, do Red Hot Chili Peppers).

terça-feira, 12 de maio de 2009

Criação de Repertório em Fotografia


Fotos: Flávio Dutra

O bom de trabalhar em grupo é que sempre tem alguma idéia surgindo, borbulhando, fervilhando. E o mais legal é quando essas idéias conseguem sair do caldo original, passar para o possível, para o projeto, e acontecer.
Há horas pensávamos que seria importante termos cursos que tratassem de questões para além da técnica. Que é mais que fundamental, lógico, mas que, como dirigir, depois de passarmos pela auto-escola, e conseguirmos voltar a respirar enquanto andamos pelas ruas da cidade, automatizamos, damos conta e vamos ficando cada vez mais potentes. (Pra não deixar passar em branco, ficar “potente” em fotografia é ótimo, no trânsito, é melhor um pouco menos que isso).
Por aí, entre outros cursos e atividades que organizamos aqui na escola (Pipoca e Fotografia, Projeto Porto Alegre, os Fotografia Falada, as Semanas da Fotografia, o curso Os Fotógrafos, as Visitas Guiadas, e outros), conseguimos colocar em marcha neste ano um curso com a fotógrafa e professora Jacqueline Joner. Serão quatro meses tratando de Criação de Repertório em Fotografia, com a mais atualizada das bibliografias e tratando dos temas mais contemporâneos relacionados à imagem. Um grupo bom e cheio de propostas de trabalho: Kazue, Bete, Walter, Grace, Julio, Vinicius, Simone e Bruna, e que já rendeu alguns frutos.
Postamos aqui algumas imagens do pessoal trabalhando. E em breve atualizaremos com as primeiras produções do grupo.

P.S. retomamos e vamos manter este blog atualizado com tudo o que for relativo a fotografia e às atividades do Projeto Contato. Apareça!!!



sexta-feira, 14 de março de 2008

Adoro nomes!



Ou... gosto que a minha língua roce a língua de Luís de Camões! :)
Os nomes:
- Rua dos Milagres de São Bartolomeu
- Travessa Fieis de Deus
- Calçada dos Marques de Tangos
- Rua das Salgadeiras
- Travessa da Boa Hora
- Travessa da Espera
- Rua das Pedras Negras
- Travessa da Água da Flor
- Escadinhas de São Crispim
- Calçada do Tijolo
- Rua do Cunhal das Botas

Última noite em Lisboa. Vou comer, beber vinho e ouvir fados lá em cima, vendo o Tejo!
Adeus Lisboa, adeus, adeus...







quarta-feira, 12 de março de 2008

Silver Apples



Lisboa, 11/03 – 13h

Lisboa é muito bacana! Somos totalmente portugueses. Aqui fala-se alto, ri-se alto, tudo é barulhento e, lógico, fala-se português. Faz calor também.

Saí de manhã para caminhar. No começo, preguiçoso. Fui até o centro, perto do Chiado. Meu plano era ir até o Castelo de São Jorge, que domina a cidade de cima. Acabei vendo um daqueles bondinhos que aparece no filme “Sob o céu de Lisboa” e não tive dúvida, subi. Parei no Bairro Alto. O fim da linha, digamos assim, é em um pequeno parque, que tem um mirante para a cidade. “Depoish podesh dehscer para o Chiaduu”, disse a condutora. Fiquei por ali um pouco, fotografei umas japitchas que desenhavam a vista. E saí a caminhar. O lugar é fantástico! Um amontoado de ruelas estreitas, cheio de pequenos restaurantes, cafés, etc. E roupas penduradas em varais, por todo lado. Por todo lado! Agora, estou em um restaurante para almoçar, sentado em uma mesa na rua. Se chama “Vá-e-volte”.
Nota fiscal: bacalhau, legumes, batatas, vinho tinto (copo), pão, água, café: 15E90.

Observações rápidas:

- Bia, acabaste de me fazer marchar em 5 euros, prum africano!;

- as crianças na escola usam um vestido por baixo do casaco. Uma espécie de vestido xadrez, parece. Mesmo os meninos!;

Um café” em Lisboa significa meia-xícara de um café fooorte a mais não poder!

18h
Continuo no Bairro Alto. Impressionante, não consegui sair daqui. Já enchi um cartão de 4gb, um de 2gb e estou no meio do segundo de 2gb. O bairro é todo alternativo. Uma Cidade Baixa lisboeta. Tão alternativo que as lojas abrem de 14 a 24h. Não funcionam pela manhã.

E já sei porque o Chacha gostou de Lisboa: ele deve ter passado pela esquina da rua da Rosa com a travessa Fieis de Deus. Ali fica o “Grogs Bar”. Aliás, o plano era ter saído daqui e ido ao Café das Imagens, que o Chacha recomendou. Mas não consegui me mexer. Há, literalmente, fotografia por todos os lados (ao lado do café em que estou tem uma galeria de lomografia...). Agora há pouco descobri um lugar em que acontecem “concertos”. Mais ou menos um Garagem Hermética, de Lisboa. Descobri que hoje tem um show de um americano que, pelo que li no folder, deve ser doidão, doidão. Silver Apples, o nome do cara. Virei!

P.S.s:
- lembrei muito do Chacha hoje;
- um café duplo em Lisboa também é meia xícara. Só que meia xícara grande!;
- texto sobre o americano:
“Silver Apples. Dos maiores visionários dos anos 60, os Silver Apples têm servido como influência para gerações de músicos. Dos Suicide nos 70s, aos Spacemen nos 80s, à geração dos 90s, constituída por bandas como Stereolab, Laika ou Broadcast. Simeon Coxe viaja com 7 caixas de sintetizadores, osciladores e outra magia eletrônica avulsa, que apresenta a solo, num show de voz (que está imaculada) e alguma da feitiçaria analógica mais bonita que ouvimos em tempos recentes em um palco.”

- Stela, Fabio, Lu, Taiane, Marcelo, Tânia, Bete, El(i ai)ne, Saimon, Sophie, Lê, Bárbara: um beijo!






Da Série "Pro chacha"


















Medias Lunas 3 x 0 Croissants



Somos portugueses, não franceses. Rimos alto, falamos alto, fumamos em lugares fechados, comemos em lugares grandes, somos “quentes”. Claro, para o bem e para o mal, como tudo na vida. Na França tudo é “baixinho” (de “ao pé do ouvido”), tudo é gentil (ainda que aquela quantidade de “mercis”, “bom jours” e “bom appetits”, no tom de voz que eles usam, quase pareça ironia...), tudo é “civilizado” (em um museu, ninguém passa na tua frente quando estás “a olhar” um quadro, p. ex.). Mas... tanta civilização também pesa. Senti isso no avião, quando estávamos bem alto, só com o céu azul acima. Senti que estava pesado e que ver aquele céu todo, tão firme, tão iluminado, tinha me tranqüilizado. Um pouco, certamente, devido ao fato de falar mal a língua dos franceses. Falar mal uma língua im possibilita de se comunicar, óbvio, mas além disso, deixa tudo muito inseguro. Comer, por exemplo, fica inseguro. Por exemplo: fui a um restaurante que tinha perto do hotel, no GRANDE 13eme, place Italie. Restaurante que eu sempre via cheio e com a maior cara de lugar legal. Um bar do Beto como era antigamente (!!!), ali na esquina, em frente a onde ele é hoje. Pois um dia decidi entrar. Tava meio cheio, o cara do balcão me perguntou se estava sozinho e não teve dúvida: me colocou sentado em uma mesa para quatro pessoas, onde já estavam sentadas outras duas pessoas. Não entendi direito, mas, meio constrangido, sentei. Os que estavam sentedos me olharam e continuaram comendo e conversando. Eu, cheio de casacos, mochila, câmera fotográfica, livro, fui ficando mais constrangido... Levantei, pedi licença, (acho que pedi licença, ao menos balbuciei alguma coisa parecida) e fui me embora tri-envergonhado. Acabei num restaurante indiano meia-boca total! Fiquei puto. Primeiro com o cara do bar (“porra, que coisa mais indiscreta!!! Eu queria uma mesa pra ficar sozinho!!! Isso lá é coisa que se faça?”) Depois, comigo (“Mané, talvez seja assim que eles funcionem, só isso... Talvez os caras já tivessem até pedido a conta e, com o bar cheio, ele me fez sentar em uma mesa que logo ia sobrar.”). Enfim, como disse uma vez uma repórter que eu acompanhava, fotografando, em uma matéria sobre “roteiros para uma noite quente em Porto Alegre”, em Roma como os romanos (se alguém se interessar conto “à francesa” detalhes desta história que é bem boa!) Enfim, decidi ir de novo lá (Chez Gladines é o nome do lugar) e ver como era. Grande idéia. E funciona assim mesmo: te colocam sentado onde tiver lugar. É um bar com comidas bascas e francesas. Mesas por tudo onde é possível ter uma mesa, lugar pequeno, por isso aproveitam do jeito que dá. Dessa vez, me fizeram sentar em uma mesa grande, com outras pessoas que, do mesmo jeito que antes, comiam, conversavam, namoravam. Um casal, intimíssimo, aliás, comemorava alguma coisa da relação deles. Ela deu um pote de pedrinhas pra ele. Ele olhou amorosamente para ela. A comida era servida em bacias, “assiete”, eles dizem (depois me dei conta que isso é relativamente comum em Paris porque vi em outros lugares. Aliás, quem assistiu ao Theatre du Soleil em Porto Alegre e comeu no restaurante que eles montaram, comeu em uma espécie de “assiete”.

No fim, Chez Gladines se tornou meu restaurante. Voltei lá várias vezes, fiz minha última refeição em Paris, um almoço, lá. Neste almoço sentou comigo na mesa um velhinho simpaticíssimo que me contou que esta era uma velha maneira de se comer em Paris. Que era um jeito “operário”, que aquele era um bairro ligado à história da comuna de Paris e que ali tentavam ser zelosos dessa tradição. Que, depois, desde os anos 70, segundo ele, tudo foi mudando em direção a se ser mais individual, mais formal, mais civilizado...

Bem, agora cá estamos em Portugal. Aqui, esta “civilização” já não parece imperar do mesmo jeito. Viva!!! O sol apareceu (acho que ver o céu no avião também me deu essa segurança: em Paris o tempo estava sempre para chover. Nos dias (2!) em que mais fez sol, em que fazia um céu limpíssimo de manhã, também acabou cem chuva mais tarde). Mas, que pretensão. Acabei de chegar e já estou tecendo comentários sobre como é o país (o país!!!) Vamos lá olhar e ver como tudo é, ó pá!!!



P.S.: contrariamente às previsões, provei vários croissants franceses e afirmo: medias lunas argentians são melhores!

terça-feira, 11 de março de 2008

Lisboa

Somos portugueses, não somos franceses. E isso é bom! :)

segunda-feira, 10 de março de 2008

Paris - Lisboa




Antes de mais nada, uma correção: escrevi que aqui ninguém é maltratado por simples estigma. Bobagem, não sei bem de onde tirei isso. A realidade bateu na minha cara em um banheiro no Centro Georges Pompidou. Coloquei uma foto pra mostrar isso. A espécie discrimina, não tem jeito. Que pena!
Fora essa sociologia baratíssima, estou saindo hoje de Paris. Foram grandes dias. Ontem fui ao Pére Lachaise e depois caminhar por Montmartre. O lugar, no geral, é uma grande Cidade Baixa misturada com Azenha. Uma Cidade Baixa misturada com Azenha pero... parisiense, ok. Cheio de bares, restaurantes e lojinhas de artigos de turismo. A quantidade de torre Eiffel à venda aqui só é comparável à quantidade de cocô de cachorro pelas calçadas!!! Uma amiga, metida, me disse que a Sacre-Coeur (“aquela igreja branquinha”, nas palavras dela) é brega. Não sei se é brega, mas que tem lá um gosto duvidoso, tem...
No mais, mais um mito que cai: não se leva pão embaixo do braço aqui! Enrolam um micro pedacinho de papel no pão e o carregam na mão!
A partir de amanhã, Lisboa. Vamos aos pastéis de belém!!!